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18/06/2007

Playlists Memory Almost Full

O novo disco do ex-Beatle Paul McCartney, Memory Almost Full, revisita sua história sob a ótica de um senhor de 65 anos - recém-completos - com senso de auto-crítica.

Entre letras que afirmam até mesmo não ter mais tempo para ser um amante dedicado, Macca explora todas as décadas da carreira, passando pelos Fab Four até chegar nos Wings.

Confira abaixo o faixa-à-faixa que preparamos:


Lado A

    1. Dance Tonight (2:52) De estrutura melódica parecida com "Here Today", um dos clássicos da carreira-solo de Paul (do álbum Tug of War), "Dance Tonight" se tornou o primeiro videoclipe de Memory Almost Full. A canção abre o disco com um leve acento country, trocando o arranjo de cordas por violões de aço dedilhados em base do início ao fim.

    2. Ever Present Past (2:54) Primeiro single, a canção faz referência direta ao tema do álbum: o tempo e a velhice. Começa moderna, lembrando os últimos discos de Macca: calcada em riffs de guitarra, e quebrando num refrão na linha do hit "Coming Up" (do disco McCartney II), de melodia alegre em contraponto ao saudosismo presente na letra.

    3. See Your Sunshine (3:17) Começa num coro de vozes femininas que remete à Wings fase anos 80, e o piano que conduz os movimentos da música corroboram para o clima. Em alguns momentos, lembra os trabalhos mais recentes de McCartney, como "Promise to You Girl" - do anterior Chaos and Creation in the Backyard.

    4. Only Mama Knows (4:17) Uma das faixas mais pesadas do disco, "Only Mama Knows" traz guitarras e vocal distorcidos, e um McCartney cantando como se ainda tivesse 20 e poucos anos e estivesse gravando um lado B para o single de "Helter Skelter".

    5. You Tell Me (3:15) Balada em falsete ao violão, praticamente um standard mccartniano. Equivale a "Jenny Wren", "The Lovely Linda", ou mesmo "Yesterday" - guardadas as proporções.

    6. Mister Bellamy (3:39) Enquanto Memory Almost Full traz uma opereta ao estilo Abbey Road no que seria seu "lado B" (caso ainda estivéssemos na era do vinil), começada em "Vintage Clothes" e indo até "End of the End", é "Mister Bellamy" que soa como uma peça de movimentos elaborados e arranjos detalhistas. Não há muita linearidade, reforçando o clima de experimentalismo erudito - influência do trabalho de McCartney com corais e orquestras em 2006, registrado em Ecce Cor Meum.

    7. Gratitude (3:17) Em seu elogio à falecida esposa Linda Louise Eastman McCartney, Paul combina a euforia gospel em vocais rascantes e piano quebrado em crescendos. Cordas e corais fazem o contraponto etéreo, quase numa oração cantada. A forte presença dos backing vocals e corais ao longo do disco e - principalmente - desta faixa é mais uma das fortes ligações de Memory Almost Full com Abbey Road. E "Gratitude" seria "Because".

Escrito por UOL Megastore às 13:36

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Playlists Memory Almost Full (continuação)

Lado B

    8. Vintage Clothes (2:22) Com um refrão repetitivo, Macca inaugura seu ciclo de canções insistindo na temática do tempo através da analogia com as roupas antigas do título. Como em boa parte do disco, a base é conduzida por um piano e bateria marcada, com guitarras fazendo as vezes de complementos harmônicos e barulhinhos eletrificados.

    9. That Was Me (2:38) A pegada de "That Was Me" remete imediatamente ao McCartney do primeiro disco-solo pós-Beatles: vigoroso, mas ainda melódico e com forte acento blueseiro. Camadas de violões se sobrepõem enquanto um rejuvenescido McCartney faz mea culpa de seus erros e acertos - mas sem a menor preocupação ou arrependimento.

    10. Feet in the Clouds (3:24) "Feet in the Clouds" talvez seja a música que mais se distancie do ciclo final de Memory Almost Full. Suas viradas de piano e mellotron combinadas com arranjos vocais à la Beach Boys aproximam a canção de obras mais experimentais, como Magical Mistery Tour. Tanto que, apesar da opereta final do disco conectar sutilmente suas partes, "Feet in the Clouds" parece acabar em si mesma.

    11. House of Wax (4:59) Praticamente recomeçando a opereta em seu movimento final, "House of Wax" investe em climas mais sombrios e na forte presença de guitarras e pratos explodindo ao pé do ouvido. Faixa mais longa do disco, tem espaço para diferentes solos, e faz a ponte para a conclusão do ciclo da memória de McCartney.

    12. End of the End (2:51) Encerrando a opereta de Memory Almost Full, "End of the End" é mais uma menção clara de Macca a seu passado. Assim como o Abbey Road acaba em "The End", com "Her Majesty" fazendo o papel de epílogo, "End of the End" celebra o fim da jornada anunciando que há um final ainda melhor por vir - um próximo disco, quem sabe? Com direito a solo de assovio, a canção é guiada pela voz de McCartney destacada em primeiro plano. Um piano e cordas ocupam os vazios da melodia com a sutileza de quem se despede com o olhar.

    13. Nod Your Head (1:55) Esse sim, o epílogo de Memory Almost Full: as guitarras mais altas, os vocais mais urgentes, e menos de dois minutos do McCartney mais rock dos últimos anos - implorando para chacoalharmos a cabeça! Como uma faixa de Driving Rain com caprichada produção indie, "Nod Your Head" prova que a parceria com Nigel Godrich (produtor do Radiohead) no disco anterior ajudou a modernizar a técnica de estúdio de McCartney, influenciando as melhores canções deste disco.

Escrito por UOL Megastore às 13:35

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